terça-feira, 6 de outubro de 2009

Os Sentidos Humanos – Tato

Aula 3 – O Tato nos Animais

Para construir com os alunos o conceito de tato ao longo da filogenia animal, inicie resgatando o trecho em que Nigel, apresentando a diferença da densidade de receptores para o toque, utiliza o exemplo dos elefantes e diz: “Somos provavelmente tão esquisitos para os elefantes quanto eles são para nós. Parecemos muito diferentes! A sensibilidade da pele do elefante ao tato e à dor varia bastante ao longo do corpo: do focinho delicado e macio à pele espessa e rugosa. E nós homens somos incrivelmente parecidos”. Se possível, repasse somente este trecho do documentário ou realize o resgate por meio da questão existente no roteiro.
Após evocar as lembranças dos alunos, convide-os a refletirem sobre como a percepção sensorial dos animais, especialmente o tato, se dá de modo diferenciado ao longo dos metazoários. A seguir, são apresentadas algumas questões e/ou problematizações que podem auxiliar o professor na condução deste processo reflexivo durante esta aula expositivo-dialogada:

  • Como nós, humanos, exploramos o mundo à nossa volta? Leve os alunos a refletirem de como nós, pertencentes à espécie Homo sapiens, somos extremamente visuais, ou seja, dentre todos os nossos sentidos, “confiamos” principalmente na nossa visão.
  • Caso o ambiente não permita a percepção visual, como explorá-lo? Os estudantes podem emitir respostas que levem as outras modalidades sensoriais como a audição e a olfação, por exemplo. Sendo assim, continue a questionar e a restringir o ambiente de modo que os alunos cheguem ao tato como principal modalidade sensorial para explorar o mundo. Nesse momento, o docente pode iniciar a construção do conceito de que as nossas modalidades sensoriais não atuam de forma fragmentada, mas integram todos os estímulos externos captados pelos nossos sentidos que conduzem à interpretação do mundo pelo sistema nervoso e pela emissão das repostas a estes estímulos.
  • Por que a “mudança” na utilização dos sentidos para interagir com o ambiente? Esta questão permite a retomada das anteriores, possibilitando mais um momento para a construção do fato de que nossa espécie é extremamente visual e que a nossa percepção de mundo não se dá somente através de uma modalidade sensorial, mas pela integração de todos os nossos sentidos.
  • Os animais (invertebrados e vertebrados) exploram o ambiente da mesma maneira? As percepções sensoriais são diferentes ou semelhantes? Por quê? Estas questões permitem explorar o tato, assim como outras modalidades sensoriais, a partir de uma perspectiva evolutiva. Dessa maneira, o docente poderá introduzir o conceito de que a percepção tátil possui uma história evolutiva, ou seja, que ao longo da história evolutiva dos animais foram selecionados os organismos adaptados ao meio ambiente. Nesses processos adaptativos, a percepção do tato também foi selecionada, pois ela favorece meios para o animal explorar o ambiente no qual está inserido.
  • Como explicar esta diferença sensorial se o ambiente físico a ser explorado é semelhante para nós animais? Neste momento, é necessário atentar para como os alunos compreendem questões de organismos mais ou menos evoluídos, pois poderão ser reforçadas concepções equivocadas sobre a compreensão do processo evolutivo como sinônimo de melhora e/ou progresso. Sendo assim, esclareça aos alunos que todos os seres vivos são igualmente adaptados ao ambiente atual e que as diferenças ocorrem devido à maneira pela qual cada espécie/população explora o mesmo e pela história evolutiva de cada espécie/população, uma vez que são diferentes os mecanismos de seleção natural e sua atuação sobre os diferentes grupos animais.
Se possível, é interessante que o professor tabule as concepções e idéias levantadas pelos alunos ao longo das discussões. Desta maneira, ao manter os tópicos dos assuntos tratados na aula no quadro-negro, por exemplo, será mais fácil, tanto para o professor quanto para o aluno, retomar as ideias, quando necessário, durante as discussões desta aula expositivo-dialogada. A sistematização também ajudará os estudantes no processo de síntese e elaboração dos conteúdos abordados até o momento.
Após este momento de discussão e levantamento de ideias, o docente poderá finalizá-lo, destacando que se a história evolutiva dos diversos animais é diferente, a maneira pela qual nós metazoários “sentimos” o mundo também é diferente.
A sensação de toque, prazer e dor, a percepção de vibrações e temperaturas também são diferentes entre invertebrados e vertebrados, assim como também há variações entre os invertebrados e entre os vertebrados.
O professor poderá construir junto aos alunos o conceito de tato e os diferentes mecanismos e estruturas que os animais possuem para captar as informações sensoriais de toque, vibrações, temperaturas, prazer e dor, oriundas do ambiente em que está o organismo inserido, ao longo das discussões desta aula ou fazê-lo após as mesmas. No entanto, em qualquer uma destas maneiras, é importante que o docente não desvalorize as opiniões dos alunos e/ou apresente os saberes científicos como verdades absolutas, mas como saberes científicos aceitos socialmente que são passíveis de mudança. A desvalorização das concepções espontâneas apresentadas pelos alunos pode tornar a discussão uma atividade vazia, e até mesmo traumática, prejudicando futuras discussões que o professor queira desenvolver.
Inicialmente, os alunos podem apresentar dificuldades em compreender que os momentos de discussão e interações em sala de aula constituem momentos de aprendizagem. Como observado por Myriam Krasilchik (2008), esta dificuldade decorre devido ao fato de a fala do professor comumente ocupar mais de três quartos da aula, sendo o tempo restante preenchido por momentos de silêncio e/ou falas dos alunos. O primeiro passo para o estabelecimento de discussões como ferramentas favorecedoras da aprendizagem é a criação de um ambiente favorável à mesma, na qual os alunos percebam que suas participações são bem-vindas e valorizadas pelos professores.

Um comentário:

  1. Excepcional, quisera eu ter um professor tão empenhado e criativo! Parabéns!

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